IAC-Votuporanga, IAC-Apuã, IAC- Ybaté e IAC- Tunã
Assista a entrevista feita do Dr. Jairo e do Dr. Pompeo, no GLOBO RURAL.
Origem
Os cultivares IAC-Votuporanga,
IAC-Apuã, IAC-Ybaté e IAC-Tunã são originários de seleções efetuadas,
respectivamente, nos cruzamentos [(Emp81xH853-50-2) x (H853-50-2 x Phaseolus
aborigineus)], Emp81xH853- 50-2, G4000xH858-50-2 e (Emp81xDor41xH1178-100
51-1-1-1,2) x Alemão. As progênies e, posteriormente, as linhagens resultantes
das seleções individuais realizadas, inicialmente, para porte, resistência aos
patógenos presentes em condições de campo na antiga Estação Experimental de
Votuporanga foram avaliadas para os agentes da antracnose, em laboratório, e da
murcha de Fusarium em casa de vegetação/campo, após inoculações artificiais. O
comportamento (produtividade, porte, resistência aos patógenos, ciclo) das
linhagens [(Emp81xH853-50-2) x (H853-50-2xPhaseolus aborigineus 57-4)],
Emp81xH853-50-2 64, G4000xH853-50-2 91 e (Emp81xDor41xH1178-100 51-1-1-1,2) x
Alemão 69, que deram origem, respectivamente, aos cultivares IAC-Votuporanga,
IAC-Apuã, IAC-Ybaté e IAC-Tunã, foi estudado na forma de coleção, com
repetições, em três locais e em experimentos preliminares, em blocos ao acaso,
com cinco repetições nos municípios de Mococa, Capão Bonito, Votuporanga,
Ribeirão Preto e Pindorama. O bom desempenho dessas linhagens, codificadas de
LGen 2, LGen 4, LGen 10 e LGen 25, possibilitou a inclusão nos experimentos
regionais de linhagens - Valor de Cultivo e Uso (VCU), instalados nas três
épocas de cultivo do feijoeiro — águas, seca, inverno — no Estado de São Paulo.
Características
Os cultivares IAC-Votuporanga, IAC-Apuã e IAC-Ybaté têm plantas de crescimento indeterminado, hastes e folhas verdes, guia curta-longa e flores de cor branca. De porte semi-ereto/ereto na IAC-Votuporanga e na IACYbaté, e semi-ereto na IAC-Apuã. As vagens do IAC-Votuporanga e IAC-Apuã são de coloração verdeclara com estrias avermelhadas na maturação fisiológica, passando para creme-claro ou palha sem ou com estrias que, em alguns casos, são quase imperceptíveis, por ocasião da colheita.No IAC-Ybaté as vagens são verde-claras-amareladas na maturação fisiológica e creme-claro ou palha na colheita. As sementes de IACVotuporanga e IAC-Apuã são elípticas e as de IAC-Ybaté, esféricas, de acordo com a relação comprimento/largura. A coloração de fundo do tegumento no IAC-Votuporanga e IAC-Apuã é creme a creme ligeiramente marmorizado e creme a creme marmorizado com listras marrons, no IAC-Ybaté. Em algumas sementes desses cultivares, as listras podem cobrir quase completamente a coloração de fundo, a qual fica restrita a pequenas pontuações. Essas sementes darão origem a plantas que vão produzir sementes na cor normal. Dependendo das condições ambientais ou do atraso na colheita, algumas sementes de IAC-Apuã e IAC-Ybaté poderão ter coloração creme avermelhada. O halo está ausente nos três cultivares, embora algumas sementes possam apresentá-lo em uma tonalidade bem mais clara do que a cor de fundo em IAC-Votuporanga e pouco amarelada em IAC-Apuã e IAC-Ybaté. Pelas características de coloração de suas sementes, esses cultivares enquadram-se no tipo comercial carioca. No cultivar IAC-Tunã, as plantas têm crescimento indeterminado, hastes verdes tingidas de violeta com folhas de cor verde, flores violeta e porte semi-ereto/ereto. Suas vagens são de coloração amarela manchada de roxo a amarela marmorizada de roxo sem ou com algumas listras nessa tonalidade, por ocasião da maturação fisiológica. Na colheita, a cor das vagens é creme a creme com manchas roxas, podendo em alguns casos serem quase imperceptíveis. A forma das sementes é esférica e sua coloração é preta; esse cultivar pertence ao grupo preto. O período de emergência-florescimento é, em média, de 44 dias e da emergência à colheita, de 90 dias para os quatro cultivares. Quanto ao peso médio de mil sementes e ao teor protéico médio nas sementes (N x 6,25) os valores verificados para IAC-Votuporanga, IACApuã, IAC-Ybaté e IAC-Tunã foram de 240 g, 251 g, 236 g e 255 g e de 19,6%; 20,4%; 20,4% e 21,4% respectivamente. Os cultivares IAC-Votuporanga, IAC-Apuã, IAC-Ybaté e IAC-Tunã são resistentes aos fungos da antracnose (testes em laboratório), da murcha de Fusarium — três ou quatro raças, dependendo das variedades diferenciadoras usadas (inoculações em plântulas posteriormente avaliadas em campo) e da ferrugem e ao vírus do mosaico-comum.
Capacidade Produtiva
Os rendimentos médios de grãos obtidos em IAC-Votuporanga, IACApuã e IAC-Ybaté, no cultivo das águas (2001a 2003) foram de 2.749 kg/ha, 2.805 kg/ha e 2.666 kg/ha, sendo de 2.379 kg/ha e 2.506 kg/ha os dos controles IAC-Carioca Eté e Pérola (Tabela 1).Para a semeadura da seca (2002 e 2003) a produtividade média de IACVotuporanga, IAC-Apuã e IAC-Ybaté foi de 3.035 kg/ha, 2.745 kg/ha e 2.775 kg/ha, em relação a 2.862 kg/ha e 2.735 kg/ha de IAC-Carioca Eté e Pérola respectivamente (Tabela 1). No cultivo de inverno (2001, 2002, 2003) foi obtida produtividade média de 2.852 kg/ha, 2.772 kg/ha, 2.876 kg/ha, 2.709 kg/ha e 2.790 kg/ha, respectivamente, para IAC-Votuporanga, IAC-Apuã, IAC-Ybaté, IACCarioca Eté e Pérola (Tabela 1). Considerando-se os rendimentos obtidos nos 33 experimentos instalados nas três épocas (águas, seca e inverno), no período de 2001 a 2003, as médias obtidas nos cultivares IAC-Votuporanga, IAC-Apuã e IACYbaté foram de 2.853 kg/ha, 2.778 kg/ha e 2.778 kg/ha, respectivamente, sendo 2.621 kg/ha e 2.675 kg/ha em IAC-Carioca Eté e Pérola. Foi obtida produtividade média de 2.638 kg/ha, 2.700 kg/ha e 2.972 kg/ha em IAC-Tunã nos cultivos das águas (2001, 2002, 2003), da seca (2002 e 2003) e de inverno (2001 a 2003), sendo 2.133 kg/ha, 2.386 kg/ha e 2.667 kg/ha, em IAC-Una e 2.556 kg/ha, 2.781 kg/ha e 2.857 kg/ha, em FTNobre, usados como controles (Tabela l). Para as três épocas de cultivo, nos 32 experimentos, no período de 2001 a 2003, foi verificada produtividade média de 2.806 kg/ha, 2.431 kg/ha e 2.739 kg/ha, respectivamente, no IAC-Tunã, IAC-Una e FT-Nobre. Por seus rendimentos médios e pela resistência aos patógenos mencionados, os cultivares IAC-Votuporanga, IAC-Apuã, IAC-Ybaté e IAC-Tunã são recomendados para o cultivo nas três épocas (água, seca e inverno), conforme o zoneamento agrícola estabelecido para a cultura em todo o Estado de São Paulo.
Tabela 1. Produtividade média de grãos de cultivares de feijoeiro, nos experimentos regionais, nos cultivos das águas (2001, 2002, 2003) da seca (2002, 2003) e de inverno (2001, 2002, 2003), em várias regiões produtoras do Estado de São Paulo
|
Cultivar |
Águas | Seca | Inverno | Média Geral |
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Kg/ha |
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| IAC-Votuporanga(1) | 2.749 | 3.035 | 2.852 | 2.853 |
| IAC-Apuã(1) | 2.805 | 2.745 | 2.772 | 2.778 |
| IAC-Ybaté(1) | 2.666 | 2.775 | 2.876 | 2.778 |
| IAC-Carioca Eté(1) | 2.379 | 2.862 | 2.709 | 2.621 |
| Pérola(1) | 2.506 | 2.735 | 2.790 | 2.675 |
| IAC-Tunã(2) | 2.638 | 2.700 | 2.972 | 2.806 |
| IAC-Una(2) | 2.133 | 2.386 | 2.667 | 2.431 |
| FT-Nobre(2) | 2.556 | 2.781 | 2.857 | 2.739 |
(1)Cultivares do Grupo
Diversos, tipo comercial carioca.
(2)Cultivares do grupo preto.
Recomendações Técnicas
Para que qualquer cultivar possa expressar seu potencial produtivo tornase necessária a adoção de algumas medidas, destacando-se, dentre elas: Análise de solo: é fundamental saber as condições do solo onde a cultura vai ser instalada, principalmente em relação aos teores dos macro e micronutrientes e da acidez, que serão verificados pela análise de solo de amostras estratificadas. De posse desses dados, o agricultor conhecerá a necessidade da correção e a quantidade de elementos químicos a ser colocada para o nível de produtividade desejado. Uso de sementes na semeadura: é de grande importância pois a taxa de utilização é pequena na cultura do feijoeiro. A grande maioria das lavouras é instalada com grãos que podem ser portadores de patógenos que vão reduzir o número de plantas, aumentar o potencial de inóculo ou ainda possibilitar a introdução de microrganismos ou raças responsáveis por doenças importantes. No final, esses fatores podem reduzir substancialmente a produtividade ou aumentar o custo de produção. Sugere-se o tratamento dessas sementes com produtos recomendados. Semeadura nas épocas e nos municípios conforme o zoneamento agrícola. De nada adiantará usar sementes, realizar a correção da acidez de solo e utilizar o adubo apropriado se a semeadura for efetuada em época de cultivo não recomendável ou em município fora do zoneamento, pois a produção a ser obtida estará bem abaixo da rentável. Utilizar tratamento fitossanitário, adubação e herbicida recomendados e fazer a rotação de culturas. Para os cultivares recomendados, deve-se utilizar o espaçamento de 0,50 m ou 0,60 m entre linhas com 12 plantas por metro linear (o número de sementes/metro, dependerá da porcentagem de germinação) com uma população no mínimo de 240.000 plantas/hectare. Para mais informações consultar o Boletim 200 do Instituto Agronômico.
Informações sobre sementes
CAPTA de Grãos e Fibras (IAC)
Caixa Postal 28
13001-970 Campinas (SP)
Fone: (19) 3241-5188/3241-5847 ramal 368/307
cpgran@iac.sp.gov.br
Publicado em 16/08/2005